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Carne bovina: cota da China esgota e exportações caem 35%

20 de out.
4 min de leitura

Embarques à China recuaram 93,2% em setembro. EUA, Chile e Rússia ampliaram as compras, e a nova cota começa em janeiro de 2027.


Em setembro, o Brasil vendeu 93% menos carne bovina para a China. É um número forte, mas não é o mais importante desta história. O dado que merece a atenção de quem produz e investe em pecuária em Mato Grosso está no calendário, e nós chegamos a ele mais abaixo.


O que aconteceu em setembro


Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil embarcou 229,3 mil toneladas de carne bovina em setembro de 2026, queda de 35,1% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita recuou 27,6%, para US$ 1,38 bilhão. Para a China, foram apenas 12,9 mil toneladas, queda de 93,2%.


Infográfico: exportações de carne bovina em setembro de 2026

Nota sobre os números: reportagens com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior apontam queda de 93,5% nas vendas à China. A diferença vem da base de dados utilizada; neste texto, usamos o levantamento da Abiec.


Como funciona a cota chinesa


A China adotou uma medida de salvaguarda sobre as importações de carne bovina, com limites por país. Para o Brasil, a cota de 2026 é de 1,106 milhão de toneladas. Dentro dela, a tarifa é de 12%. Acima dela, a tarifa total sobe para 67%, o que, na avaliação do mercado, torna a maior parte dos embarques inviável.


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou em 29 de setembro que a cota foi atingida. Desde julho, os frigoríficos já vinham reduzindo os embarques para evitar a sobretaxa. Para 2027, a cota prevista é de 1,128 milhão de toneladas, a partir de janeiro.


Para onde a carne foi


Outros mercados absorveram parte do volume. Os Estados Unidos compraram 48,3 mil toneladas em setembro, quase cinco vezes mais que um ano antes, e lideraram os embarques do mês. Chile (+87,2%), Rússia (+20,5%), Indonésia, Turquia e Canadá também ampliaram as compras.


No acumulado de janeiro a setembro, o volume total ficou praticamente estável (2,43 milhões de toneladas, −0,5%), e a receita cresceu 14,1%, para US$ 14,17 bilhões, puxada por preços médios mais altos. Mesmo assim, segundo a Abiec, outros destinos ainda não substituem automaticamente a demanda chinesa.



A União Europeia também está fechada


Desde 3 de setembro, a União Europeia suspendeu a entrada de carnes brasileiras. O bloco considera insuficientes os controles sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, embora não tenha apontado contaminação nos lotes. Segundo a Agência Brasil, a carne bovina pode levar mais tempo para voltar, porque os animais criados sob as novas regras levam de 24 a 36 meses até o abate. Não há data definida para a retomada.


Mato Grosso no centro da história


Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do país e é um dos principais estados exportadores. No 1º semestre de 2026, segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), a carne do estado chegou a 88 países, com receita de US$ 2,4 bilhões, e a China comprou 282,4 mil toneladas de MT. A cota, portanto, afeta diretamente a demanda dos frigoríficos do estado e a formação de preço do boi gordo.


O dado que mais importa: o calendário


Aqui está o ponto que prometemos no início. Segundo a Abiec, as empresas devem voltar a vender para a China entre meados de outubro e novembro, para que o produto chegue já dentro da cota de 2027. E o setor negocia com o governo uma forma de distribuir os embarques ao longo do ano, para evitar um novo esgotamento precoce.


Na prática, a janela de exportação tende a ficar mais concentrada e mais disputada. Quem se antecipa e planeja venda, reposição e investimento com esse calendário em mente costuma chegar primeiro às melhores condições, sempre com análise de cenários e sem apostas.


Checklist: 5 pontos para acompanhar


  1. Venda e abate: acompanhe as escalas dos frigoríficos e as cotações regionais.

  2. Nova cota em janeiro: 1,128 milhão de toneladas para 2027, segundo o Mapa.

  3. Diversificação de mercados: EUA, Chile, Rússia e outros destinos ganharam espaço, com exigências próprias.

  4. Rastreabilidade: exigências sanitárias e ambientais pesam no acesso a mercados premium.

  5. Terra e confinamento: decisões de longo prazo com cenários com e sem renegociação da cota.


Checklist: 5 pontos para quem produz e investe em pecuária

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