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Dólar a R$ 5,40 e juros em alta: o que muda para o agro e o crédito

há 7 dias
3 min de leitura

Ibovespa cai 13,9% com circuit breaker, e o mercado passa a discutir alta da Selic no Copom de 3 e 4 de novembro.


Soja, moedas e calculadora sobre a mesa, colheitadeira, silos e cidade ao fundo com seta vermelha subindo ao pôr do sol

R$ 5,40. Foi onde o dólar fechou na segunda-feira, 26 de outubro, depois de subir 8,21% em um único pregão. Para quem exporta, o número pode parecer uma boa notícia. Mas o dado que mais deve pesar no caixa do produtor e do empresário nos próximos meses é outro, e ele está nos juros.


O que aconteceu nos mercados


Após o resultado do segundo turno da eleição presidencial, o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, e a B3 acionou o circuit breaker às 9h57, interrompendo os negócios por 30 minutos. Foi a primeira vez desde março de 2020. O dólar chegou a R$ 5,60 na máxima do dia, depois de ter fechado a sexta-feira abaixo de R$ 5.


Infográfico: dólar a R$ 5,40, Ibovespa em queda de 13,88%, juro futuro de 15,24% e Selic de 13,75%

Os juros futuros subiram em toda a curva: o contrato para janeiro de 2031 fechou em 15,24% ao ano, alta de 2,67 pontos percentuais. Analistas citaram a incerteza fiscal como principal fator, e o Tesouro cancelou os leilões de títulos previstos para a semana.


O dado que mais importa: o custo do dinheiro


Só ações de empresas exportadoras fecharam em alta. Bancos, varejo e construtoras lideraram as perdas, sinal de que o mercado passou a contar com crédito mais caro. O Boletim Focus divulgado no mesmo dia, coletado antes da reação, ainda projetava Selic de 13,25% no fim do ano. Depois do pregão, analistas passaram a discutir alta da taxa, hoje em 13,75%, na reunião do Copom de 3 e 4 de novembro.


Na prática, renovações de custeio, CPRs, capital de giro e financiamentos pós-fixados podem ficar mais caros. Quem revisa a estrutura de dívidas antes dessas renovações tende a ter mais margem para negociar.



Câmbio: faca de dois gumes para o agro


Para quem vende produção cotada em dólar, o real mais fraco tende a elevar a receita em reais. Mas o efeito não é automático: no mesmo dia, soja, café e açúcar recuaram nas bolsas internacionais. Do lado dos custos, fertilizantes, defensivos e máquinas importadas ficam mais caros, assim como dívidas e CPRs atreladas ao dólar.


Para produtores e empresas de Mato Grosso e do Paraná, a leitura é a mesma: momentos de volatilidade pedem números na mesa, não decisões no impulso. Quem se antecipa, organizando prazos e garantias agora, chega primeiro às melhores condições quando o mercado se acomodar.


Checklist: cinco revisões para fazer nesta semana


  1. Dívidas: cronograma, indexadores e parcela pós-fixada.

  2. Câmbio: exposição a insumos e dívidas em dólar.

  3. Travas: preço e câmbio, sem decisão no calor do dia.

  4. Caixa: compra de insumos dentro do orçamento da safra.

  5. Crédito: renovações e garantias antes do Copom de 3 e 4 de novembro.


Checklist: cinco revisões financeiras para fazer nesta semana

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Prefere e-mail? Escreva para unico@uniconegocios.com.br.


Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento, crédito ou operação de câmbio. Números de mercado mudam a cada pregão; as condições variam conforme o perfil de cada produtor e empresa.



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